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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

São Gonçalo e sua história: Palacete do Mimi.

    Visando levar ao conhecimento da população gonçalense um melhor entendimento a cerca da história dessa grande cidade, o blog "Made in Gonça" inicia uma série que vai contar fatos históricos, falar sobre grandes gonçalenses (de nascimento ou não) que ajudaram a construir uma das maiores cidades do Brasil, mostraremos lugares, falaremos de cultura etc.. Hoje, contaremos a história do "Palacete do Mimi".

Palacete do Mimi 


    No início do século XX, entre os anos de 1913 e 1920, foi construído numa bela encosta no atual bairro Estrela do Norte, um luxuoso casarão, concebido pelo Sr. Floriano Rocha Lima e financiado pelo italiano Ernesto Primo, Floriano era proprietário de terras e fazendeiro, e Ernesto, que veio para o Brasil ainda criança era dono de indústria de calçados, ambos eram admiradores da pequena encosta com lindos arbustos e planejaram erguer ali uma imponente mansão.

    Construído com materiais originários da Europa, o palacete, que ficou conhecido como "Palacete do Mimi", devido ao seu mais ilustre proprietário, o Sr. Emir Porto, empresário famoso em Niterói e São Gonçalo, que adquiriu a mansão em 1951, abrigou grandes festas da alta sociedade Fluminense, na década de 1930, estiveram em suas dependências, artistas modernistas como: Di Cavalcanti, o compositor Vila Lobos, os escritores, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarcila do Amaral, além do jornalista Irineu Marinho, pai de Roberto Marinho, e fundador das Organizações Globo.

    As vidraças e janelas do casarão vieram da França, as pilastras de mármore e os azulejos, inclusive os da piscina vieram da Itália, uma escada especial que dava acesso ao segundo andar veio da Alemanha e foi montada no Brasil, ela era feita de mármore de alabastro e possuía corrimão dourado a ouro, técnicos alemães vieram montá-la.

    O "Palacete do Mimi" era composto por oito quartos sociais, dois quartos para empregados, e um quarto junto a garagem, suas dependências eram completas ainda por três salas, uma no segundo andar e duas no andar térreo, no nível superior havia um corredor ornamentado com lindos espelhos que evoluíam cortinas de damasco, forradas com cetim volúvel na cor creme claro. Os banheiros eram equipados com porcelana branca e torneiras e chuveiros dourados, na cozinha, havia lindas panelas de alumínio, copos de cristal e pratos de porcelana importados, de alto valor.

    Após possuir vários proprietários o palacete é finalmente adquirido por Emir, e inicia-se aí o auge de sua fama, Emir inaugura ali um cassino que funcionou por cerca de dez anos atraindo apostadores fluminenses e de outros estados, "Mimi" também passa a alugar o casarão para festas da alta sociedade.

    Mas, o destino do "Palacete do Mimi" teve um desfecho melancólico, os jogos de cassino, eram uma pratica proibida desde 1946, por força do decreto-lei 9215 de 30 de abril daquele ano, decretada pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra sob o argumento de que o jogo era degradante para o ser humano, gozando de grande influência, com muitos amigos na política, e sendo ainda casado com a irmã do Coronel Coraci Ferreira, Emir Porto, bem que tentou adiar o fechamento do cassino, mas a pressão do governo era muito grande e não houve outra solução senão por fim a jogatina no local.

    Com dificuldades para administrar o palacete, Emir teria ficado descontente e embora não seja confirmado, acredita-se que o golpe de misericórdia da pomposa história da mansão teria sido o incêndio do Gran Circo Americano em Niterói - 1961, onde mais de 500 pessoas morreram em decorrência de um incêndio criminoso praticado por Adílson Marcelino Alves, o Dequinha, juntamente de José dos Santos, o Pardal e Walter Rosa dos Santos, o Bigode. Como não havia onde enterrar tantas vítimas, a Prefeitura de São Gonçalo desapropriou parte das terras do "Palacete do Mimi" dando lugar ao Cemitério São Miguel, anos mais tarde, desgostoso, Emir teria abandonado o local, e iniciou-se então a invasão e depredação do imóvel, até que em 2002 suas ruínas foram totalmente demolidas. A piscina em formato oval, inédita no Brasil, e sua caldeira aquecida a carvão, com tijolos portugueses, passarela em mármore encomendado da Grécia e instalações hidráulicas importadas da Inglaterra e Alemanha são as únicas lembranças desse magnífico monumento arquitetônico em solo gonçalense.

    Os últimos capítulos de glória do "Palacete do Mimi" foram, o churrasco em comemoração da posse do Governador do Estado do Rio de Janeiro, Geremias de Mattos Fontes em 1970, e a gravação do filme: "Os Monstros de Babaloo", escrito e dirigido por Elyseu Visconti no ano de 1971. Atualmente, as terras do antigo casarão pertencem a uma construtora de Juiz de Fora-MG.

Filme: Os Monstros de Babaloo teve cenas gravadas no Palacete do Mimi em 1971.


Foto: Acervo do jornal "O Globo".

Foto: Divulgação/ internet.

Foto: Divulgação/ internet.

Reprodução: Pintura de Paulo Nunes.

Foto: Portal Web Guia SG.




3 comentários:

  1. Sou gonçalense, tenho 29 anos e por vários anos ao passar em frente ao cemitério São Miguel me encantava com o misterio entorno daquela construção e vcs mostraram com clareza a história daquele palacete, obrigado e parabéns.

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  2. Gostava de subir o morro e passar o dia lá no palacete, com minha família. Levávamos lanche, tirávamos fotos... Como era bonito, mesmo em ruínas. Infelizmente, não temos mais coragem pra voltar lá!

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    1. Mas hoje, lamentavelmente, não há mais nada naquele local senão as poucas ruínas da piscina e os escombros do palácio cobertos no chão pela mata. Fora o perigo da presença de criminosos que também fazem rota por ali. Até 1993/94, eu ainda garoto, tive a oportunidade de ver essa parte da frente em estado de ruína, porém, mais consistente, tal como aquela última foto mais recente. Poucos anos depois caiu de vez. Triste demais ver uma história tão rica de nosso Município se perder assim...

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